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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Televisão no quarto - Lado B


O impedimento do silêncio


Sempre tive o hábito de ler na cama antes de adormecer. Às vezes não chegava a meia página, é certo, mas era o aconchego necessário antes de fechar os olhos.

Lá em casa havia apenas uma televisão, na sala, e a minha mãe sempre fez questão de banir as televisões dos quartos.

Ele já vinha com a televisão no quarto acoplada quando casamos, e ela lá ficou sem que eu tivesse feito grande esforço para a tirar.

A verdade é que é fácil a pessoa habituar-se. Ver uma série já deitadinhos, um filme quando está frio demais fora dos cobertores.

Mas não gosto. Deixei de ler antes de adormecer. A maior parte dos dias adormeço meia torta a meio de qualquer programa. Preferia ter uns minutos de silêncio antes de dormir, tranquilidade para terminar um dia agitado.

Mas quem é que o convence...?

terça-feira, 9 de julho de 2013

Televisão no quarto - Lado A


A Janela do Mundo


Ponto prévio: enquanto estava a escrever este texto, Ela disse-me que estava cansada e foi para o quarto ver televisão.

Na minha opinião, a existir televisão numa casa, o quarto é o melhor sítio da casa para a ver.

A televisão serve para descontrair, ao fim da noite, a dois, com a partilha de uma série. Serve para descansar, numa tarde de fim-de-semana, enquanto o G. dorme a sesta, na companhia de uma comédia romântica.

E pouco mais...

A não ser quando joga o Benfica. Nesse caso, a televisão também serve para ver o Benfica. E isso pode fazer-se no quarto, na sala, na cozinha ou na casa de banho.

A televisão na cozinha parece-me especialmente nociva da vida em família: se há momento de união, em que se pode partilhar tudo o que se passou durante o dia, é o do jantar.

A televisão na sala pressupõe que ver televisão é um programa de família.

Será? Digam-me!

Quanto a nós, temos três televisões em casa, no nosso quarto, na sala e no escritório. Devemos ver, no máximo, uma média de trinta minutos de televisão por dia, vinte e cinco dos quais no quarto e os outros cinco na sala.

Mas também é verdade que a nova televisão é o ecrã do computador... e nesse passamos, talvez infelizmente, muitas horas do nosso dia.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brinquedos na sala - Lado B



Acho que é muito importante os miúdos aprenderem a ter um espaço deles, onde podem estar a brincar ou a ler sozinhos, sem necessidade de ter um adulto para impressionar ou seduzir ou com quem partilhar o momento.

É importante para eles, mas é ainda mais importante para nós, pais, que existam vários momentos de descanso ao longo do dia. 

Da mesma forma que um bom silêncio me parece muito saudável na relação de um casal, momentos de proximidade com atividades simultâneas não partilhadas entre pais e filhos podem ser importantes para todos.

Dito isto, parece-me fundamental que o principal espaço de brincadeira esteja no quarto, num local reservado e claramente identificado como tal. Esse espaço estar centrado na sala pode constituir, quanto a mim, uma ocupação indevida de um espaço dos pais, espaço físico e temporal que pode mesmo ser um símbolo para o futuro saudável da sua relação.

O nosso caso é mais ou menos peculiar, uma vez que a sala era até agora pouco utilizada. O nosso espaço era e continua a ser o quarto: onde vemos televisão, lemos, conversamos. Neste sentido, um espaço para o G. na sala é bem-vindo, uma vez que permite que o possamos acompanhar de forma mais confortável, próximos no afeto mas mais ou menos distantes nos pensamentos.

E assim o quarto, a sala e os caminhos ficam desarrumados por igual.

Ver o Lado A.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Brinquedos na sala - Lado A


Antes de o G. nascer era mais fundamentalista quanto a esta questão.

Os brinquedos pertenciam ao quarto sempre, pensava eu, e não espalhados um pouco por toda a casa, como se de repente tivéssemos passado a viver no meio da confusão. Parecia-me que para manter algum equilíbrio e sanidade era preciso haver espaço para os adultos e a possibilidade de andarmos descontraidamente pela casa sem pisarmos, com um uivo, uma peça de lego.

Ainda continuo a pensar assim, mas já não tão a preto e branco.

Ainda na semana passada compramos uma mesinha para a sala, o que seria impensável para o meu antigo eu.

A verdade é que ao longo do tempo tenho vindo a perceber que o G. gosta muito de estar onde nós estamos, o que faz todo o sentido, porque eu também gravito em torno de onde eles estão.

A solução intermédia foi delimitar uma área, dentro do espaço comum, para o G. Até há pouco tempo era a mesa de centro na sala que tinha alguns brinquedos em cima. Agora é a mesinha.

Assim, ele faz parte do espaço sem dominar o espaço.

O que é que vos parece? Brinquedos no quarto ou nos espaços comuns?

Ver o Lado B.

sábado, 27 de abril de 2013

O G. visita os avós - Lado B




Ponto de partida: ao contrário do Bolinha, quando visita os avós, o G. não vai brincar para a horta, apanhar os ovos que a galinha pôs e ajudar a avó a fazer um bolo enquanto o avô lê o jornal.

Já agora: é pena que os avós não tenham uma horta, galinhas que põem ovos e vacas leiteiras. Enfim: comida fresca e saudável a bom preço.

Os avós do G. são avós modernos. Avós que começam a preparar tudo com antecedência, montando a casa em função do ilustre convidado que vão receber. A mesa de centro desviada para um canto. Os brinquedos em cima da mesa, na sala, ansiosos com antecedência. A caminha aberta e sorridente.

Grande questão: que fenómeno é este que faz com que os avós tenham mais paciência do que os pais?

E o G. fica, feliz.

Feliz.

A melhor parte, no entanto, está para vir.

Jantar fora com toda a tranquilidade.

Ver um filme.

Namorar.

Dormir.

Ser.

E telefonar para os avós e ouvir o G. a dizer papá, mamã com toda a felicidade. Ir buscá-lo ao fim do dia, do fim-de-semana. Feliz por nos ver.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O G. visita os avós - Lado A



Mais ou menos desde que o G. tinha seis meses começámos a deixá-lo, de vez em quando, a dormir em casa dos avós.

Para mim faz todo o sentido.

Em primeiro lugar, o G. tem como avós pessoas maravilhosas e eu sinto que ele ganha muito em passar tempo com eles. É claro que também passamos tempo com os avós quando estamos todos juntos, mas ele não se comporta da mesma forma quando nós estamos por perto e é muito importante que ele crie as suas próprias relações sem a nossa influência. 

Os avós têm toda a paciência do mundo para fazer 1000 brincadeiras e até dão mais bananas do que aquelas que são permitidas no dia-a-dia. E a verdade é que sempre que chegamos ele está muito feliz.

Em segundo lugar, é bom fazer coisas a dois. Sabe tão bem dormir até mais tarde, ir ler para uma esplanada, conversar. Focados apenas em nós por umas horas. O G. é uma ótima companhia mas é muito exigente em termos de atenção e concentração, como qualquer criança. 

Quando voltamos a encontrá-lo estou cheia de vontade de o encher de beijinhos e de brincar com ele. Tive tempo para respirar, para pensar. Tivemos tempo para falar sobre a vida, para nos sentirmos próximos.

Estamos prontos para iniciar mais uma semana.

Imagem - mais um dos livros preferidos do G.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Viver em Lisboa - Lado B


Cresci e, até casarmos, sempre vivi em Oeiras.

O que me faz falta, agora que vivemos no centro de Lisboa, é o silêncio.

Chegava a casa depois das aulas, que eram em Lisboa e, de repente, quando saía do autocarro, estava silêncio. Era um alívio e só me dava conta de que tinha estado rodeada de barulho durante todo o dia naquele momento.

Agora nunca saio do barulho. Não há um desligar da confusão do dia e sinto falta disso.

Outra coisa que gostaria de ter, e claro que há alguns sítios em Lisboa que o têm, é vida de bairro. Sonho em poder sair de casa a pé para ir comprar o jornal, beber um café, fazer compras ou simplesmente dar uma volta. 

Este post está a ficar um bocadinho rezingão... Obviamente, Ele escolheu o tema para me provocar, porque sabe perfeitamente que é um tema sensível para mim.

Mas claro que sabe bem demorar meia hora até ao trabalho em vez de uma hora, estar a cinco minutos (de carro!) da Fnac mais próxima e não precisar de fazer horas na rua se queremos ir ao teatro à noite.

Que tal um consenso... Vida de bairro e sossego, no centro de Lisboa... Mudamos para Campo de Ourique?

Ver o Lado A.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Viver em Lisboa - Lado A


Nasci em Lisboa, mas vivi até aos seis anos em Valejas, uma pequena povoação do concelho de Oeiras. Voltei para Lisboa e daqui não mais voltei a sair, a não ser para visitas e (as tão desejadas) férias.

Três dos meus quatro avós nasceram em Lisboa, entre Alfama e a Mouraria, e o outro veio para cá viver com poucos anos. Os meus pais também nasceram em Lisboa, nos então "modernos" bairros de Campo de Ourique e Benfica. Eu nasci na Rua da Palma.

Resumindo: sou alfacinha de gema.

Mas isto pouco tem a ver com o tema deste texto. Eu acho que viver em Lisboa é muito melhor do que viver nos arredores, mesmo que seja, num Mundo ideal, com muito dinheiro para gastar, uma linda casa em Oeiras, Cascais ou Sintra. Ou seja, partindo da premissa de que a casa é equivalente, voto no centro de Lisboa.

A principal vantagem é, sem dúvida, morar perto da creche do G. (claro que poderíamos mudar de creche, pelo que isto não é decisivo) e do trabalho. Cinco minutos para chegar à creche, cinco minutos para chegar à faculdade. E assim se pode contabilizar o tempo que não se perde.

A segunda vantagem é a (mera) possibilidade de vir a casa a qualquer momento, a meio do dia, independentemente dos compromissos e das alegrias do dia. Se temos um jantar combinado, se queremos ir ver uma peça de teatro, não é preciso organizar tudo para ficar em Lisboa a fazer horas ou, pior ainda, ir e vir, acumulando quilómetros e minutos de desgaste.

Outras vantagens: os acessos; a vida de bairro (vamos ver o que Ela diz sobre isto...); oferta cultural e comercial; ir a Cascais ou Sintra passear...

Mas, se não tivermos de vir a Lisboa todos os dias, sou capaz de repensar a questão.

Ver o Lado B.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma personagem da Modern Family - Lado A


A personagem que mais me fascina nesta série é, sem dúvida, o Jay Pritchett.

Não será a mais divertida, mas é aquela com quem tenho mais empatia. Com fama de durão, conquistada ao longo de uma vida vivida muito antes da história começar, acaba por ter um coração mole, resignando-se aos desígnios da família.

Tem problemas com todas as outras personagens, mas resolve-lhes todas as questões, desde as mais simples às mais complexas, sendo sempre chamado em caso de emergência.

Esforça-se por ser simpático, mas claudica face ao ridículo das figuras do divertido Phil e ao exagero dos desafios colocados pelo desconcertante Mitchell. Puxa como ninguém pelo desconcertante Manny, é machista e preconceituoso, mas no final acaba por compreender e aceitar muito daquilo que não se esperaria. E que ele próprio provavelmente não esperaria uns anos antes.

É, no fundo, o reflexo de todos aqueles que exageram nas convicções para manter uma posição de autoridade, provocar a reação, mas acabam por não resistir aos encantos dos outros e do Mundo, vistos com o prisma dos erros e da experiência dada pelos anos.

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Uma personagem da Modern Family - Lado B


Ponto prévio só para chatear: acho que a personagem preferida dele é o Phil, mas Ele não quer admitir que gosta mais do amalucado do que do sério!

Quanto a mim, como é meu apanágio, sinto que todas as personagens já fazem parte da minha vida e são minhas amigas. Todas elas têm características deliciosas, como a criatividade do Luke, a determinação e confiança da Gloria ou a queda para a grandiosidade do Cam e outras que as tornam menos perfeitas, aproximando-as do comum dos mortais, como a necessidade excessiva da Claire de manter o controlo de tudo.

Posto isto, optei por escolher uma personagem que, apesar de não ser a mais evidente, eu considero genial. A Alex. Ela é a marrona, mas a verdade é que está sempre muito à frente dos outros todos! Desconfio que é capaz de ser a personagem mais madura da série, apesar de ser adolescente. O que me cativa é o seu humor certeiro. E marcou-me o episódio em que a Alex aceita ir à bruxa com a Gloria para poder gozar com ela. A meio apercebe-se de que não interessa se a senhora está a inventar um monte de coisas porque, na verdade, está a dizer o que a Gloria precisava de ouvir e é essa a sua verdadeira utilidade. Acaba, assim, por se calar e não expor a charlatã... Muito à frente, certo?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Viver a dois #1 - A gestão do dinheiro - Lado A

 
No outro dia ao almoço, no trabalho, falava-se da gestão do dinheiro quando se vive com alguém.

As conclusões foram que cada casal geria de maneira diferente.

Havia sempre um dos dois que assumia as rédeas da organização das contas mas fora disso os modelos eram todos diferentes:

  1. Conta comum , onde caem ambos os ordenados, e da qual se paga tudo.
  2. Conta comum, onde caem ambos os ordenados, e da qual se pagam as despesas comuns, sendo mensalmente retirado um valor para a conta individual de cada um para gastos pessoais.
  3. Duas contas individuais onde caem cada um dos ordenados, sendo mensalmente transferido um valor para a conta comum (que varia ou não em  proporção ao ordenado de cada um) para serem pagas as despesas comuns.
Antes de casarmos discutimos este assunto e não chegámos logo a um acordo. Ele preferia o primeiro modelo, eu o segundo.

Parecia-me uma grande perda de liberdade o facto de o dinheiro estar todo em conjunto, porque a responsabilidade associada a cada decisão de compra é muito maior. E agradava-me a ideia de ter uma quantia por mês para gastar como quissesse, ainda que acabasse por não a gastar, sem haver qualquer possibilidade de censura da outra parte. Afinal, ainda no outro dia tinha adquirido a minha independência financeira e a liberdade de gastar, mesmo em coisas fúteis só porque posso e me apetece, não me apetecia abdicar dela.

Acabámos por optar pelo primeiro modelo, com possibilidade de passar para o segundo se começasse a haver conflito quanto a gastos com os quais um de nós não concordasse.

Até ver, acho que o primeiro modelo foi a melhor opção no nosso caso. Ele faz lindas tabelas e gráficos de excel que me mostra no final de cada mês, gerindo o nosso dinheiro mil vezes melhor do que eu alguma vez teria capacidade e paciência para fazer.

A questão da liberdade ainda me incomoda de vez em quando mas é apenas uma questão psicológica porque na prática eu compro exactamente as mesmas coisas que compraria se tivesse um valor para gastos pessoais.

Na prática é muito mais fácil a pessoa ter apenas um cartão multibanco e não ter de pensar se paga com este dinheiro ou com aquele. E o sentimento de partilha e de que tudo é nosso é bom!

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Viver a Dois #1 - A gestão do dinheiro - Lado B



Ora aí está uma questão muito pertinente!!

O dinheiro pode ser um dos principais fatores para envenenar uma relação entre duas pessoas - familiares, amigos, colegas de trabalho, conhecidos...

E isto independentemente de se ter ou não muito dinheiro. Se é verdade que, "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", não é menos verdade que o excesso de pão pode levar a indigestões bem mais marcantes.

Como gerir o dinheiro quando duas pessoas que trabalham e têm rendimentos vão viver juntas?

A chave para o sucesso, quanto a mim, está na decisão, está na reflexão sobre o assunto. Dependendo das características de cada um, a melhor solução é variável.

No nosso caso, sendo os dois equilibrados nas despesas, parece-me que o melhor é a conta conjunta, sendo tudo retirado do mesmo bolo. Um dos dois fica com a gestão, cada um gasta o que quer e as decisões mais relevantes são tomadas em conjunto!

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domingo, 11 de novembro de 2012

Um dia no fim de semana - Lado A




O fim-de-semana perfeito inclui um dia de descanso total, de preferência com uma longa passagem pela cama durante a tarde, a ver um filme, uma série (... de jogos de futebol) ou simplesmente a dar e receber miminhos.
 
De manhã, depois de o G. ter bebido a sua dose de leite, o pequeno almoço ideal é tomado fora, de preferência em versão brunch, com um jornal ou um livro à mão, para relaxar e alimentar a tarde que se avizinha.
 
Apesar de já termos testado vários, o Deli Delux continua a ser o meu preferido: qualidade e quantidade na dose certa com vista para o Tejo.
 
 
 
 
A tarde é um sonho tornado realidade.
 
Descansados e felizes, mas com fome, apetece jantar, fora fora ou fora em casa, mas certamente com uma comida que ajude o palato a terminar o dia com um sorriso.
 
 

 

Um dia no fim de semana - Lado B


Não podia concordar mais!

Para mim é essencial um dia assim por semana, para restabelecer o equilíbrio. A dose certa de tempo fora de casa, para sentir o ar na cara, ver as cores que o dia contém, e a dose certa de tempo de puro descanso por casa. Tudo ao ritmo que apetece, sem pensar em nada que provoque stress!

Claro que agora com o G se tornou menos descomplicado este plano, porque temos de acomodar as rotinas e brincadeiras dele, mas acho que nos temos safado bem!

A minha única questão é: porque é que este fim de semana não fizemos nada disto...?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Lado B das últimas coisas

Sobre Isabel Jonet, gostaria de dizer que é muito interessante a discussão a que temos assistido nos últimos dias. A sua declaração é corajosa e tem um conteúdo político assinalável. Discordo, naturalmente, de tudo o que diz. Mas não deve ser deavalorizado,apenas discutido.
 
Nós, os portugueses, temos de discutir que modelo de Estado queremos: (i) um Estado que promova a distribuição de riqueza, tratando com igual dignidade todas as pessoas e exigindo de todos nós o esforço, por via representativa, através da decisão política, no sentido de que as desigualdades sejam minimizadas; (ii) um Estado que garanta aos mais ricos e poderosos a segurança necessária para os proteger dos mais pobres, evitando que estes se revoltem por via de algum - mas não muito, porque estamos em crise - apoio, apoio complementado por ações (privadas) de solidariedade que criem uma sensação de gratidão em relação a esses ricos e poderosos.
 
 
 
As personagens de Mafalda também têm, como penso ser reconhecido, conteúdo político assinalável, por isso resistindo ao tempo e confrontando o dia-a-dia de cada um de nós, entre as Susanitas e as Mafaldas que por ainda andam, mais ou menos próximas das caricaturas.
 
Nos Estados Unidos da América também este debate se travou, com grande honestidade intelectual e clara apresentação de dois projetos políticos distintos. Ganhou Obama e ainda bem! Apenas porque o seu projeto está mais próximo do primeiro modelo de Estado que descrevi e que prefiro, sem dúvida!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Como ler o jornal - Lado B



Ler o jornal ao sábado de manhã significa, ao mesmo tempo, fazer uma pausa e exercitar a reflexão sobre o Mundo em que vivemos.
 
As duas componentes são mais agradáveis e interessantes se for possível partilhar a notícia, a crónica ou o artigo de opinião com quem está ao nosso lado.
 
Partilhar é sentir que aquele momento é passado e vivido a dois!
 
Partilhar é criar um conjunto de referências comuns para o futuro!
 
Partilhar é mostrar ao outro aquilo que nos tocou de alguma forma!
 
E comentar o que se lê num jornal é, para mim, um momento de partilha, porque a seleção do que se conta é intimidade e vontade de fazer o outro sentir o mesmo que nós.

Ah! E vou continuar a partilhar...

Vai ser assim:
Eu: Viste o atentado de ontem na República das Bananas, que causou uma data de mortos?
Ela: ...
Eu: Impressionante!
Ela: ...
Eu: Eh pá, isto foi mesmo violento!
Ela: Pois. Muito interessante.

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Como ler o jornal - Lado A

Toda a gente sabe que o jornal se lê sossegadinho, num momento relaxante, em que a mente se perde nas novidades ou opiniões contidas naquelas páginas, pensava eu.
 
Mas afinal não é assim...!
 
Parece que há os que deslizam para um mundo paralelo e os que palram partilham.
 
Muitas vezes compramos o Expresso - Ele lê o jornal, eu prefiro a revista. Eu abstraio-me, Ele partilha.
 
O resultado é normalmente:
Ele: Blablablablabla.
Eu: Pois. Interessante. (não ouvi absolutamente nada)
 
Ou:
Ele: Então tinhas visto não sei o quê no Expresso e não me disseste?
Eu: Ups.
 
O pior é mesmo quando o cenário é:
Eu: Então tinhas visto não sei o quê no Expresso e não me disseste?
Ele: Eu disse-te!
Eu: Ups.
 
Foto tirada em Taizé (é mais ou menos assim o meu mundo paralelo... nada mau!)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Escrevinhar #3 - À volta de uma cor - Lado B

Há uns tempos participámos num workshop de escrita criativa. Os textos dos Lados A e B surgiram do mesmo estímulo. A mesma realidade, duas perspetivas...

O céu é azul e está fresco. Quando é assim o dia começa bem.

O Turquesa espreguiça-se e sacode a crina. Vive num sítio onde o azul se encontra com o verde, lá em cima no topo da montanha, e é feliz. Mas desde há algum tempo uma dúvida o assalta, constantemente, como um pingo de água a bater numa pedra.

O que acontecerá para lá das montanhas?

Anseia por encontrar algo mais mas tem medo de deixar o vale que conhece.

Olha para o horizonte e parece-lhe ouvir alguém a chamar. Parte e sente-se liberto.

Parte à procura do cavaleiro que o faça sentir finalmente completo, a dois.
 
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Escrevinhar #3 - À volta de uma cor - Lado A


Há uns tempos participámos num workshop de escrita criativa. Os textos dos Lados A e B surgiram do mesmo estímulo. A mesma realidade, duas perspetivas...

Estamos presos nesta liberdade, em que o branco é tão fácil de sujar. Libertos numa sombra que nos assombra, há branco que nos assusta. Nas pontes, os horizontes que se abrem são o vazio que nos preenche, caminhando sem direção mas com sentido, procurando o destino que à medida do caminho se vai traçando. Nos rios, o branco nunca é branco, porque se vai colorindo com a passagem por cada margem, por cada momento de uma existência sem pausas, preenchida pela cor de uma ideia que por ali passa.

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aldeia da Terra - Lado B


Uma cidade com muita cor, em pleno Alentejo, diverte quem por lá passa.
 
As personagens, os prédios, as ruas e os objetos têm como objetivo traçar o retrato da nossa sociedade, de ontem, de hoje e de amanhã, e, através de uma sátira social toca no nosso imaginário e na nossa imaginação, fazendo-nos percorrer caminhos que não imaginávamos.


Numa mistura de elementos urbanos e rurais, antigos e modernos, conservadores e liberais, passamos por um aeroporto simultaneamente civil e militar, com obras na pista, por uma igreja imponente, à porta da qual um impaciente automobilista tem de aguardar por vez para passar, e por um cemitério em que as lápides descrevem em diálogo as características verdadeiras dos seus moradores.
 


Um projeto muito interessante, que espero tenha sucesso, não sendo levada pela onda recessiva que se aproxima.