sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A exceção não confirma a regra!

Há expressões que são especialmente irritantes pela forma como são utilizadas.
 
Claro que, se não há regra, não pode haver exceção. Portanto, uma exceção confirma a existência de uma regra! Por exemplo: É proibido estacionar (regra), salvo caso de emergência (exceção)!
 
Agora, numa discussão científica, quando se está a testar determinada conclusão e se encontra uma ocorrência que a contradiz, não podemos simplesmentar argumentar com a fatalidade de a exceção confirmar a regra, como se até tivessemos de encontrar uma exceção para fazer prova da teoria apresentada. Não! Se uma ocorrência contradiz a teoria em teste, essa contradição tem de ser explicada com base na sua racionalidade.
 
Há pouco ouvia na apresentação de um estudo que os países do Sul da Europa desconfiam mais dos tribunais do que os do Norte, sendo o Chipre a exceção que confirma a regra. Não! O Chipre não confirma esta regra. O Chipre desmente-a. O que não quer dizer que não possamos afirmar que existe uma tendência no sentido da teoria apresentada, mas temos de encontrar argumentos racionais para explicar qual a razão para os cipriotas não desconfiarem tanto dos tribunais como os cidadãos de outros países do Sul da Europa.
 
 

Lado B das últimas coisas

Sobre Isabel Jonet, gostaria de dizer que é muito interessante a discussão a que temos assistido nos últimos dias. A sua declaração é corajosa e tem um conteúdo político assinalável. Discordo, naturalmente, de tudo o que diz. Mas não deve ser deavalorizado,apenas discutido.
 
Nós, os portugueses, temos de discutir que modelo de Estado queremos: (i) um Estado que promova a distribuição de riqueza, tratando com igual dignidade todas as pessoas e exigindo de todos nós o esforço, por via representativa, através da decisão política, no sentido de que as desigualdades sejam minimizadas; (ii) um Estado que garanta aos mais ricos e poderosos a segurança necessária para os proteger dos mais pobres, evitando que estes se revoltem por via de algum - mas não muito, porque estamos em crise - apoio, apoio complementado por ações (privadas) de solidariedade que criem uma sensação de gratidão em relação a esses ricos e poderosos.
 
 
 
As personagens de Mafalda também têm, como penso ser reconhecido, conteúdo político assinalável, por isso resistindo ao tempo e confrontando o dia-a-dia de cada um de nós, entre as Susanitas e as Mafaldas que por ainda andam, mais ou menos próximas das caricaturas.
 
Nos Estados Unidos da América também este debate se travou, com grande honestidade intelectual e clara apresentação de dois projetos políticos distintos. Ganhou Obama e ainda bem! Apenas porque o seu projeto está mais próximo do primeiro modelo de Estado que descrevi e que prefiro, sem dúvida!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A emoção das eleições

Nas eleições nos Estados Unidos a emoção é palpável. As pessoas entusiasmam-se e vibram e acreditam!
 
No Empire State Building foram instaladas barras luminosas que foram subindo ao longo da noite, à medida que iam sendo conhecidos os resultados!


E era tão bom um bocadinho deste entusiasmo por cá!

 
E já agora também não se perde nada com um pouco de humanidade.

Haverá tempo para o conteúdo mais tarde...!

Como??!

O título alternativo seria "Essas pessoas que têm a mania que podem comer bifes todos os dias", mas era muito grande...!
 
Isabel Jonet
 
Ela não disse que essas pessoas [os pobres] têm de ser ajudadas, sobretudo para não ficarem completamente enraivecidas contra a falência total de um sistema que não lhes permite ficarem integradas. Nem que as pessoas têm de perder a mania de que podem comer bifes todos os dias. Fui eu que ouvi mal, certo?
 
 

domingo, 4 de novembro de 2012

Casa de sonho



O objectivo deste post é unicamente o de registar ideias para daqui a uns tempos poder ver como era parva...!

De vez em quando vamos ver casas, normalmente completamente fora do nosso possível orçamento, só para ver o que há por aí e sonhar.

Quando penso na minha casa de sonho, há inúmeras características que me vêm à cabeça, nem todas compatíveis umas com as outras...

Idealmente teria:

Vista para árvores ou o mar
Um pequeno jardim
Uma cozinha americana
Muita luz
Silêncio à volta
Muito comércio acessível a pé
Não seria um R/C para não me sentir insegura
Nenhum trânsito para aceder ao trabalho (e no máximo a 15 minutos de caminho)
Aquecimento central
Jacuzzi exterior (eu avisei que envolvia parvoíce...)
Montes de lugares para toda a gente estacionar

Ahh e claro, tudo por uns € 100 000, pode ser?

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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cortar a direito


Enquanto juristas muitas vezes amigos ou conhecidos nos perguntam qual é a solução jurídica para determinado problema.
 
A questão é que o direito, principalmente no âmbito do direito da família, está pensado para resolver as questões apenas quando as pessoas não conseguem sozinhas chegar a uma solução. É a resposta extrema, que na maior parte das vezes não é a mais adequada àquelas pessoas em concreto.
 
As relações são complexas e únicas e, na maior parte das vezes, a minha resposta quando confrontada com essas perguntas é: "mas tenta perceber porque é que ele está a agir dessa forma" ou "mas tentem primeiro encontrar uma solução de compromisso...".
 
Não é por mal. É que normalmente quando duas pessoas próximas discutem com base no direito em vez de discutirem com base nos sentimentos o caldo está entornado... 

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As letras pequenas da vida



Esta manhã, a caminho da escola do G., continuei a ouvir o CD de Jorge Palma, Com todo o respeito, comprado no último fim-de-semana.
 
A faixa 8 chamou-me a atenção, em especial os versos que aqui deixo.

 
Fui à última instância, enchi-me de brio
li a Constituição toda de fio a pavio
havia um artigo que lido com atenção
era como nos seguros: a gente nunca tem razão
 
("Uma Alma Caridosa", de Jorge Palma)
 
 
Amanhã seguimos - eu e o G. - para a faixa 9, que hoje a 8 ficou em modo repeat...