sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Dia do desassossego



Se fosse vivo José Saramago faria hoje 90 anos.

Para assinalar o dia, estabeleceu a Fundação José Saramago, que hoje é Dia do Desassossego. Dizia o escritor: "Escrevo para desassossegar, não quero leitores conformados, passivos, resignados".

Não me parece haver dúvida de que vivemos um momento em que o dessassossego é fundamental. É preciso questionar e mudar!

E sinto que não só na praça pública mas também na vida privada às vezes é preciso estar um bocadinho desassossegado. Não que a normalidade não seja um sítio muito bom mas, por vezes, é preciso desafios intelectuais e aventuras novas!

Posto isto, vou ali a mais um dia de trabalho rotineiro.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Beja não tem culpa de ESTIG não ser um acrónimo




A construção de estruturas que não têm utilizadores dá que pensar. E quem imaginou que um aeroporto em Beja poderia ter sucesso deve ter-se enganado a si próprio. Digo eu.
 
Mas a minha grande dúvida é esta: ESTIG é um acrónimo?
 
Um acrónimo é uma "uma palavra formada pelas letras ou sílabas iniciais de palavras sucessivas de uma locução".
 
Neste caso, como é que Escola Superior de Tecnologia e Gestão pode ser conhecida como ESTIG? Se ainda fosse a Escola Superior de Tecnologia i Gestão!
 

As histórias de dona Hortênsia e do Dr. Mattos da Cunha, que eram para se cruzar mas não se cruzaram



Dona Hortênsia, a passar agora o seu octogésimo sétimo outono, desde mil novecentos e setenta e quatro que acorda cedo e entusiasmada em dia de eleições, aparecendo logo na abertura das urnas na escola do seu bairro para votar no Partido Comunista. Há alguns meses, ainda passava a sua octogésima sétima primavera, apareceu-lhe uma coisa na perna e o inchaço e a comichão não a deixam viver em paz. Já foi ao médico, que disse que aquilo passava, mas não passou, pelo que decidiu marcar uma consulta da especialidade. Meses de espera e, finalmente, no início de outubro recebe a boa nova de uma consulta no dia catorze de novembro com o Dr. Mattos da Cunha. Ainda faltava um mês e meio, mas dona Hortênsia ficou animada. Chegou finalmente o dia catorze de novembro e dona Hortênsia, sabendo que havia greve, começou a ligar para o hospital às oito horas da manhã. Ficou em espera até às nove horas e desistiu, com medo de não chegar a tempo à consulta. Vestiu a sua melhor roupa e foi apanhar os transportes que a levariam ao hospital. Nada, a não ser uma fila interminável, ali e nos táxis, onde gastaria de bom grado dez dos trezentos e vinte seis euros e catorze cêntimos que recebe mensalmente de pensão. Chegou às dez e quarenta e cinco e bateu com o nariz na porta. Nem médicos nem pessoal administrativo. Só os seguranças de uma empresa privada e alguns auxiliares que queriam entregar os recibos verdes nesse dia. Dez euros e duas horas depois voltou para casa sem consulta mas com comichão.

 
O Dr. Mattos da Cunha acordou tarde nesse dia catorze de novembro, aproveitando que não tinha de ir trabalhar. Tomou um belo pequeno almoço, preparado pela sua empregada, e leu o seu jornal preferido online, lendo com desprezo as notícias da adesão à greve dos mineiros em Trás-os-Montes. Imaginou-os sujos de carvão e a cheirar a suor. Para o almoço estava combinado um almoço com os seus dois filhos, um deles piloto de aviões comerciais, o outro médico como o pai, aproveitando a rara oportunidade em que nenhum deles trabalhava. A sua mulher foi ao centro comercial comprar prendas para os netos, estranhando a quantidade de clientes numa quarta-feira de manhã. Felizmente as lojas tinham reforçado o pessoal para esse dia. O Dr. Mattos da Cunha almoçou no seu restaurante preferido, mas teve de sair relativamente cedo, às quinze horas e trinta minutos, porque as consultas no seu consultório privado começam às dezasseis horas todas as quartas-feiras.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Felicidade e Normalidade



Há momentos na vida em que estamos tristes, momentos em que estamos felizes e momentos em que estamos simplesmente normais.
 
É nestes últimos momentos que paramos para pensar e refletimos sobre as principais decisões relacionadas com as nossas vidas. Mas é também nestes momentos que temos mais dificuldade em arriscar, porque, apesar de tudo, temos muito mais dificuldade em deitar a perder a normalidade do que a felicidade.
 
A normalidade não é má, é assim-assim, e estamos conscientes do assim-assim, e de que não é mau o assim-assim, enquanto nunca estamos tão conscientes e racionais num momento de grande felicidade. À normalidade habituamo-nos com naturalidade, mas não nos afeiçoamos a ela, nem lhe exigimos mais, porque nos dá aquilo que dá e mais não esperamos.
 
Pelo contrário, da felicidade esperamos sempre mais, afeiçoamo-nos e queremos que seja cada vez mais generosa.
 
Por que razão somos tão injustos com ela?
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A visita de Merkel vista em 2050



Será que em 2050 teremos uma notícia como esta?
 
"No dia 12 de novembro de 2012, a chanceler alemã Angela Merkel visitou Portugal, no âmbito de uma turnê pelo continente europeu, que, segundo alguns historiadores, constitui o marco simbólico do início do Grande Império Alemão do Século XXI, que durou cerca de quinze anos.
 
Após ter conquistado os países do Sul da Europa, protetorados alemães desde 2013, e aí instalado governos inicialmente eleitos pelos povos desses estados, o 21 Jahrhundert Reich virou-se para Norte, ocupando com relativa facilidade as já fragilizadas e isoladas França e Bélgica.
 
(...)
 
No final da década de 20, os russos, liderados por Vladimir Putin e Roman Abrahamovic, e a aliança sino-americana puseram fim a uma ocupação que levou os países da periferia europeia a um desastre económico de que só agora começam a recuperar.
 
Entretanto, em Lisboa, no início da década de 30, foi mandada construir por Vítor Gaspar, ministro plenipotenciário, uma estátua com mais de trinta metros da Nossa Senhora de Fátima, para agradecer a circunstância de Portugal não ter participado na Guerra Total, poupando assim a vida a muitos cidadãos"
 
Esperemos que não!
 

domingo, 11 de novembro de 2012

Um dia no fim de semana - Lado A




O fim-de-semana perfeito inclui um dia de descanso total, de preferência com uma longa passagem pela cama durante a tarde, a ver um filme, uma série (... de jogos de futebol) ou simplesmente a dar e receber miminhos.
 
De manhã, depois de o G. ter bebido a sua dose de leite, o pequeno almoço ideal é tomado fora, de preferência em versão brunch, com um jornal ou um livro à mão, para relaxar e alimentar a tarde que se avizinha.
 
Apesar de já termos testado vários, o Deli Delux continua a ser o meu preferido: qualidade e quantidade na dose certa com vista para o Tejo.
 
 
 
 
A tarde é um sonho tornado realidade.
 
Descansados e felizes, mas com fome, apetece jantar, fora fora ou fora em casa, mas certamente com uma comida que ajude o palato a terminar o dia com um sorriso.
 
 

 

Um dia no fim de semana - Lado B


Não podia concordar mais!

Para mim é essencial um dia assim por semana, para restabelecer o equilíbrio. A dose certa de tempo fora de casa, para sentir o ar na cara, ver as cores que o dia contém, e a dose certa de tempo de puro descanso por casa. Tudo ao ritmo que apetece, sem pensar em nada que provoque stress!

Claro que agora com o G se tornou menos descomplicado este plano, porque temos de acomodar as rotinas e brincadeiras dele, mas acho que nos temos safado bem!

A minha única questão é: porque é que este fim de semana não fizemos nada disto...?