quinta-feira, 4 de julho de 2013

Brincadeiras na varanda



Uma ideia simples deu para mais de uma hora de brincadeiras refrescantes.



Dois alguidares com água na varanda e uns baldes e forminhas para passar a água de um lado para o outro. 

Eu só tive de me recostar a apanhar o sol do fim da tarde enquanto o G. lançava Ahhs e Ohhs de cada vez que a água caía para cima dele.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A vida tranquila


"Às vezes penso que a vida tranquila é inimiga de uma vida tranquila. Tenho o que quis ter, sou feliz porque nada me falta para ser feliz. Vivo num equilíbrio certo e tão imune a tudo que me vejo obrigada a ele, incapaz de tristezas profundas ou infelicidades justificadas.

Há outras maneiras de ser feliz que não conheço mas intuo, serão fugazes e ardentes, arrebatadoras, isso, arrebatadoras. Como chegar ao cimo da montanha russa para depois descer e subir de novo, e assim sempre. Só loucos ou poetas podem acreditar que depois de um cimo vem outro maior e outro ainda, mas é assim que vivem, por isso cantam e gritam como eu não. E, no entanto, tenho dentro de mim partes descontentes que esperam há muito. Por que diabo esperam? 

Falta-me imaginação, uma imaginação inútil, capaz de inventar o que não preciso e que tanta falta me faz. Vejo as minhas amigas e ouço o que me contam, as futilidades que praticam, felizes de as praticarem, condeno-as com o que sou e invejo-as com o que gostaria de ser."

(Nuno Camarneiro, Debaixo de Algum Céu, Leya, 2013)

Acabei de ler esta passagem sem fôlego por ser tão arrebatadora e tão certa. E cheguei à conclusão de que tenho muito medo que isto me aconteça.

Depende apenas de mim, o que me descansa um pouco, mas deve ser tão fácil resvalar para a vida tranquila em que não falta nada para ser feliz e, no entanto, falta tudo. Um alerta de vez em quando é bem-vindo!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O senhor da frente na porta do metro



Começando por traçar o cenário, compondo os ingredientes para esta história do dia-a-dia, imaginemos que estamos na porta de acesso ao metro e a hora é de ponta, com muita gente a querer entrar ou sair por ali a correr.

Dia 1: o senhor da frente tira a carteira e põe em cima do mecanismo (chamemos-lhe assim...).

A porta não abre.

O senhor da frente começa então a esfregar a carteira no mecanismo, primeiro com calma, depois freneticamente.

A porta continua a não abrir.

A senhora de trás começa a fazer barulho, apesar de entretanto as portas do lado já estarem desimpedidas.

O senhor da frente começa a ficar irritado e vira a carteira ao contrário.

Nada. Chega o metro.

Depois de lado.

Nada. Parte o metro.

O outro lado.

A porta abre-se.

Mas desconfio que apenas por ser menos teimosa do que o senhor da frente, que segue o seu caminho feliz, muito feliz, porque para abrir a porta do metro não é preciso tirar o cartão da carteira.

Dia 2: o senhor da frente tem uma mochila.

O senhor da frente põe a mochila em cima do coiso (chamemos-lhe agora outra coisa, talvez mais rigorosa do ponto de vista técnico).

A porta não abre...

A história fica por aqui e o pior é que, sendo assim, ficamos sem saber se a mochila foi mais ou menos teimosa do que a porta.

O dia 3 vem aí.

Será que algum senhor da frente com o Lisboa Viva no bolso de trás vai decidir sentar-se em cima daquilo e esperar que a porta se abra?


quarta-feira, 26 de junho de 2013

As histórias politicamente corretas


Na Feira do Livro compramos vários livros, entre os quais um do Capuchinho Vermelho para o G.

As ilustrações eram apelativas, as cores fortes e até tinha texturas e portinhas para abrir.

A história já conhecíamos, pensávamos nós... 

Afinal não...

Parece que o Lobo Mau agora é apenas medianamente mau. Maroto, vá; já não come ninguém. 
A avó fica apenas fechada no armário e a Capuchinho é salva mesmo a tempo pelo caçador. 
Até mesmo o mal que acontece ao Lobo por ter sido malvado é bastante relativo. O caçador prende-o a uma árvore.

Quando é que isto aconteceu?

Acho que prefiro a versão politicamente incorreta. Passa os valores de forma mais clara.
É claro que na vida nada é preto ou branco, inteiramente mau ou inteiramente bom. Mas se tivermos presentes estes extremos podemos perceber melhor os tons de cinzento da vida.

O Lobo é mesmo muito mau e por isso não tem um final feliz. Na vida há pessoas mesmo más e devemos fazer tudo para não sermos uma delas. E até é animador acreditar que cada um acaba com aquilo que merece.

Exijo um Lobo Mau que acaba no fundo de um poço com a barriga cheia de pedras! 

Parece que o melhor é ir procurar a casa da avó porque os tempos agora são outros.

A foto faz-me imaginar o caminho da Capuchinho pelo meio da floresta. Quase que consigo ver o Lobo lá ao fundo a espreitar!

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lisboa em Si


Na sexta-feira à noite encaminhamo-nos para o Terreiro do Paço para assistir ao Lisboa em Si. 

O projeto prometia sete minutos de música em que os instrumentos eram os sons da própria cidade, espalhados ao longo de vários quilómetros: buzinas de barcos, sirenes, os sinos das igrejas... Cem músicos que comunicavam entre si através de rádio, para garantir a harmonia dos sons.

À saída do metro o entusiasmo era palpável com as pessoas em passo acelerado, intervalado com breves corridas, para garantir que não chegavam nem um segundo depois das dez.

Eu ia muito curiosa e expectante, Ele um pouco cético! 


Não posso dizer que me tenha sentido maravilhada. Se calhar as minhas expectativas eram demasiado elevadas. 

Ouvia-se demasiado os "instrumentos" que estavam mais próximos; no caso eram as buzinas dos barcos, e apenas com muito esforço os mais distantes, como por exemplo os sinos. Isso tornava desequilibrada a sonoridade, tornando impossível descortinar a harmonia entre os diversos sons.

Mas teve aspetos bons que vale a pena assinalar.


Em primeiro lugar, estava muita gente e foi um momento lindo quando de repente toda a gente se calou e se fez silêncio no Terreiro do Paço.

Depois, foi uma sensação muito engraçada ouvir sons a que estamos acostumados, retirados do seu contexto. Estamos habituados a ouvir uma sirene de uma ambulância ou o som do elétrico no meio do rebuliço do dia-a-dia. Mas ali soavam diferentes. Porque me estava a concentrar neles, ao invés de os deixar apenas estar no pano de fundo.

Estava uma noite linda e era Lisboa. E só isso já vale sempre a pena.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Livros infantis #7 - As escolhas da Joana

A Joana deixou aqui no blog um comentário ao post do "Um Livro" que me cativou. 

Fui ver o blog azul turquesa e identifiquei-me. E quando percebi que a Joana é bibliotecária pensei imediatamente que era a pessoa ideal para dar continuidade a este diálogo sobre livros. Quem melhor para conhecer os livros mais interessantes do que quem convive diariamente com centenas deles!

Das conversas que fomos tendo por e-mail posso dizer-vos que a sua paixão pelos livros é contagiante e que a essa paixão se associa uma personalidade disponível e sorridente!

Bem vinda, Joana!

o livro de que mais me recordo da minha infância é "a princesinha" de frances burnett. um livro para quem ja sabe ler bem. antes de chegar a este, claro que li muito outros, muitos livros de historia da platano editora preenchiam a parte de baixo da minha mesa de cabeceira branca, com um fio dourado e fininho debruado. tinha uma gaveta em cima e muito espaço em baixo onde empilhava os livros. lembro-me de a minha mae me pedir muitas vezes para arrumar a confusao que ali se instalava e de ser uma arrumaçao para a tarde inteira que me fazia reabrir os livros e ficar a reler as historias todas. à noite, a magia passava para um cadeeiro pousado em cima da tal mesa, que era uma pequena televisao com o rato mickey. este candeeiro, que guardei muitos anos, perpetuava as minhas leituras e o tempo que passava a olhar para as imagens, à lupa, pela noite dentro.


mas digo com toda a certeza que o livro que me pôs no caminho do PRAZER da leitura foi "a princesinha", que, anos mais tarde, descobri tantas vezes mencionado em alguns dos livros de uma das minhas escritoras, de ficçao portuguesa, preferida, a ana teresa pereira.


o livro que gosto mais hoje e que recomendaria a uma criança... é dificil escolher so um. mas escolho "a manta, uma historia aos quadradinhos de tecido" da planeta tangerina. uma historia doce que me fez lembrar a minha avo e as noites em que ficava a dormir em casa dela depois de passarmos o dia inteiro juntas. ela conversava muito e contava imensas coisas. eu adorava isso. este livro é a prova de que uma historia pode vir de qualquer parte e de que uma manta feita cheia de quadradinhos de tecido, feita pelas maos da nossa avo, pode tornar-se tao tao quentinha e aconchegante. 


também acrescento a esta pergunta um livro francês que li todos os anos a todas às turmas de pequeninos que recebi, na biblioteca onde trabalhei nos ultimos 7 anos, nos alpes, o titulo é "les deux maisons". é a historia de dois velhinhos, um velhinho feito de sal e uma velhinha feita de açucar que se zangam e cada um constroi uma casa e sepraram-se, mas um dia vem um temporal e o velhinho arrisca-se a desaparecer com a chuva. a velhiha tem uma casa mais resistente e, apesar de zangada com o velhinho, deixa-o entrar. no final eles fazem as pazes e dao um beijinho na boca, mas com o sal, o açucar e a chuva à mistura, no beijinho ficam colados um ao outro. esta imagem é magica e pôs muitos olhos a brilhar.


muito obrigada por este convite, é um prazer tao grande poder conversar sobre livros!

Imagem 2, Imagem 3, Imagem 4

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os esgotos de Paris




Ao passar os olhos pela pasta das fotos no computador relembrei os esgotos de Paris e pensei que não chegamos a contar nada sobre isso aqui. Vale a pena porque cai fora das coisas normais a fazer em Paris.

Quando estivemos em Paris da última vez fomos visitar o museu dos esgotos, mesmo junto ao Sena, quase a chegar à Torre Eiffel.

Não é um museu típico. Não há coisas expostas para ver. Trata-se de entrar dentro de uma parte desativada da rede de esgotos e perceber e sentir o que é e como funcionava.

E para mim foi fascinante, porque acho que nunca até aí tinha dedicado um único pensamento ao assunto dos esgotos. Sei que estão lá (por todo o lado), não posso viver sem eles, mas não fazia a mínima ideia sobre como funcionam.

Lá em baixo cheira mal e se tiverem claustrofobia é capaz de não ser boa ideia, mas vale a pena. São túneis que se cruzam e canais de água, largos como pequenos rios, e tubagens por todo o lado.

Em Paris há milhares de quilómetros de túneis por baixo do chão e milhares de egoutiers (esgoteiros? Ha, não sei como se chama em português a profissão de quem trabalha nos esgotos. Tem nome?)

É uma profissão muito desgastante e perigosa por causa dos gases e do risco de inundação inesperada dos canais. Claro que hoje em dia é tudo mais moderno mas a única forma que antigamente havia de avisar os egoutiers de que estava a chover muito e de que tinham de sair porque o nível da água nos túneis iria subir rapidamente era batendo vigorosamente nos tubos de metal para fazer propagar o som de alerta.

Ficamos aliviados quando saímos e pudemos respirar o ar fresco mas não especialmente enjoados, o que se pode comprovar pelo que almoçámos a seguir...!