domingo, 6 de janeiro de 2013
Escrevinhar #4 - Natal
Por
Ela
Toda a gente sabe que quem faz o arroz doce é a Avó Lina! Aquele arroz doce é o aconchego numa taça. A Avó Lina mexe durante uma hora, lentamente o leite a borbulhar.
Aquele arroz doce sabe a ternura, sabe à minha própria infância.
Todos os doces na imensidão da mesa são doces, mas só o arroz doce faz suspender o tempo porque foi a Avó Lina que o fez.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
O G. e o Benfica
Por
Ele
Sem querer influenciar a orientação clubística do miúdo, aviso desde já que se não for do Benfica vamos ter problemas cá em casa!
Para já, nasceu num sexta-feira e na terça-feira seguinte já era associado.
Se os estatutos do clube não forem entretanto alterados, quando puder votar pela primeira vez, aos 18 anos, terá direito a 20 votos e, quando tiver 25 anos, terá direito a 50 votos.
Não liga nenhuma aos jogos de futebol na televisão - nisso sai à mãe, para já - mas quando ouve a palavra Benfica, no contexto certo, que ainda não percebemos bem qual é, levanta os braços para festejar um golo e a felicidade fica estampada no rosto. E nada de dizer Sporting à volta dele que ainda se põe a fazer o mesmo retirando a magia do momento...
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
As rotinas
Por
Ela
A vida implica rotinas e a vida com bebés implica ainda mais rotinas.
O fim da tarde com o G. implica sempre dar banho, dar o jantar, brincar um bocadinho ou ler-lhe um livro e pô-lo na cama. Habitualmente esta rotina demora cerca de 1h30, apesar de incluir também o nosso jantar que agora já é ao mesmo tempo que o dele.
Na maior parte dos dias adoro esta rotina – chapinha na água, foge quando o quero vestir, refila sempre pelas mesmas razões, bate palminhas, mostra onde é que lhe devo calçar as meias, grita quando a comida não vem à velocidade adequada, enfim… é bom!
Mas há dias em que não apetece mesmo nada. Nesses dias não me lembro das pequenas coisas. Nesses dias parece-me que é apenas uma repetição, uma série de tarefas obrigatórias e maçadoras. Apetece-me ir jantar fora ou passear. Falta-me a liberdade de decisão.
Ontem foi assim, mas hoje já me apetece outra vez chapinhar e bater palminhas e refilar e repetir!
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terça-feira, 4 de dezembro de 2012
De repente, chegou o dia...
Por
Ela
... em que, pela primeira vez, tive fazer uma coisa para o G. levar para a creche. Vá-se lá saber porquê, parece que é ponto assente que todas as mães nasceram com habilidades manuais ímpares, que são chamadas a demonstrar assim que possível.
Felizmente a solicitação não implicava desenhar, caso contrário a coisa não teria corrido bem...
Pediram-me para fazer um enfeite para a árvore de Natal.
Já que o G. ainda não consegue colaborar tentei pensar numa forma de ele participar e lembrei-me de fazer qualquer coisa com a forma da mão dele.
A parte mais difícil do projeto foi, sem dúvida, conseguir que o G. me deixasse desenhar a mão dele. Esperneou e gritou mas acabou por ceder colaborar.
Depois foi só pegar em feltro e tecido nas cores necessárias, montar tudo e cozer à volta.
Saído da máquina de costura, e já sem o excesso de tecido, o Pai Natal tinha forma mas ainda lhe faltava a personalidade.
Essa foi acrescentada através do olhar e do sorriso, com a ajuda de uma agulha e linha.
E já que estava com a mão na massa (no caso, nos enfeites) apeteceu-me recriar uma memória que tenho de quando eu própria era pequena e a escola nos atribuiu como tarefa fazer um pompom para a árvore gigante que todos os anos montavam no corredor. Lembro-me de ter demorado horas a fazer o meu pompom com dois círculos de cartão e quilómetros de lã que tinha de passar pelo buraco central dos círculos.
Felizmente, hoje em dia há umas peças que substituem o cartão e num instante se faz um pompom.
Fiz uns quantos para a nossa árvore, até porque este ano não dá para pôr bolas que se partam...
...e fiquei feliz!
Escolher a roupa do G. pela manhã
Por
Ele
Uma das tarefas mais complicadas da manhã é a escolha da roupa do G. Ela já saiu para o trabalho e a responsabilidade pela figura que o nosso filho vai fazer na creche é minha.
Conjugar duas peças de roupa - a tarefa do verão - é fácil, mas três peças começa a ser um desafio, uma tarefa hercúlea.
Primeiro, é preciso escolher um par de calças, idealmente confortáveis, porque a ginástica é uma das atividades do dia. Abro o armário e as que estão por cima parecem quase sempre perfeitas.
Já temos calças, filhote!
O babygrow não releva, porque fica por baixo e não queremos complicar. Temos agora de escolher uma t-shirt de manga comprida. Tem de ser uma com cor, para animar o dia.
Esta é perfeita.
E agora, falta a camisola! Começo a suar. Na creche não vão dizer-me nada se o G. não estiver na moda, mas não quero fazer má figura. E logo à tarde vou ser gozado quando Ela o for buscar...
Tenho quatro opções.
Bloqueei!
Ajudem-me: o que escolho?
domingo, 2 de dezembro de 2012
Nova identidade
Por
Ela
Quando começámos a escrever aqui tínahamos apenas vontade de experimentar, não sabíamos muito bem o que este espaço seria.
Entretanto fomos escrevendo e chegámos à conclusão de que o nome que tínhamos escolhido não era esclarecedor quanto ao conteúdo que aqui partilhamos.
O que distingue o blog é o facto de sermos dois, de mostrarmos duas perspectivas sobre a mesma realidade, que partilhamos.
E, portanto, passamos a escrever A Soma dos Dois: sou eu e Ele, somos nós e o que dessa união resulta!
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Viver a dois #1 - A gestão do dinheiro - Lado A
Por
Ela
No outro dia ao almoço, no trabalho, falava-se da gestão do dinheiro quando se vive com alguém.
As conclusões foram que cada casal geria de maneira diferente.
Havia sempre um dos dois que assumia as rédeas da organização das contas mas fora disso os modelos eram todos diferentes:
- Conta comum , onde caem ambos os ordenados, e da qual se paga tudo.
- Conta comum, onde caem ambos os ordenados, e da qual se pagam as despesas comuns, sendo mensalmente retirado um valor para a conta individual de cada um para gastos pessoais.
- Duas contas individuais onde caem cada um dos ordenados, sendo mensalmente transferido um valor para a conta comum (que varia ou não em proporção ao ordenado de cada um) para serem pagas as despesas comuns.
Antes de casarmos discutimos este assunto e não chegámos logo a um acordo. Ele preferia o primeiro modelo, eu o segundo.
Parecia-me uma grande perda de liberdade o facto de o dinheiro estar todo em conjunto, porque a responsabilidade associada a cada decisão de compra é muito maior. E agradava-me a ideia de ter uma quantia por mês para gastar como quissesse, ainda que acabasse por não a gastar, sem haver qualquer possibilidade de censura da outra parte. Afinal, ainda no outro dia tinha adquirido a minha independência financeira e a liberdade de gastar, mesmo em coisas fúteis só porque posso e me apetece, não me apetecia abdicar dela.
Acabámos por optar pelo primeiro modelo, com possibilidade de passar para o segundo se começasse a haver conflito quanto a gastos com os quais um de nós não concordasse.
Até ver, acho que o primeiro modelo foi a melhor opção no nosso caso. Ele faz lindas tabelas e gráficos de excel que me mostra no final de cada mês, gerindo o nosso dinheiro mil vezes melhor do que eu alguma vez teria capacidade e paciência para fazer.
A questão da liberdade ainda me incomoda de vez em quando mas é apenas uma questão psicológica porque na prática eu compro exactamente as mesmas coisas que compraria se tivesse um valor para gastos pessoais.
Na prática é muito mais fácil a pessoa ter apenas um cartão multibanco e não ter de pensar se paga com este dinheiro ou com aquele. E o sentimento de partilha e de que tudo é nosso é bom!
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